Tem um cara chamado Erving Goffman, sociólogo escreveu um livro chamado " A representação do eu na vida cotidiana", aprendi isso em umas aulas de antropologia, lá no campus do vale da UFGRS, o professor explicava-nos que o Goffman propõe que as pessoas representam papéis na vida cotidiana em busca de reconhecimento e aprovação, que agimos como atores para um platéia, em busca de reconhecimento, seja no trabalho, na família, na escola... após animada discussão alguém perguntou ao professor, como seria quando a pessoa está sozinha em casa? platéia de quem, se não há neste caso, outros a nos observar?
Neste caso, somos platéia de nós mesmos... ! Platéia de si mesmo, atuando para vc mesmo...
Fiquei a pensar, mais tarde lembrei cenas de minha infância onde me vi como platéia de eu mesmo.
Tardes chuvosas em que havia chegado em casa com uma roupa nova, uma calça maneira que na adolescência nos faz muito bem usar, perante nossas platéias e perante nós mesmos. Lembro bem do imaginário, de estar desfilando e caminhando dentro da casa, e sentindo-me bonito por estar de calça nova.
Pois então, moro em apartamento e a vizinha de cima, gosta de caminhar de sapatos de salto... tac, tac, tac, tac.. um saco.. fui lá falar com ela e a mulher me atendeu toda arrumadinha, com seu sapato de salto.. mora só ela e o filho de uns 10 anos... pensei.. platéia de si mesma... !!
sábado, 3 de maio de 2008
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2 comentários:
adorei o post, quantas vezes somos platéias de nós mesmos, algumas pessoas são sempre platéias de si mesmos... principalmente na era da sociedade do espetáculo como muito bem problematiza o sociólogo Guy Debord e mais recentemente discute-se a exteriorização da subjetividade, vale dizer... temos que apresentar na pele tudo que somos... isto dá uma boa conversa... descartabilidade, narcisismo... e por ai vai...
e por detrás da máscara, será que tem uma essência, um verdadeiro? acho que o importante é sempre mudar de máscara.
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